A publicidade e as regras ortográficas

Pobrema; Célebro; Adevogado; Salchicha.

Pobrema; Célebro; Adevogado; Salchicha.

É claro que é praticamente impossível que um material publicitário seja aprovado com alguma dessas palavras. São erros grotescos e facilmente identificáveis. Mas é justamente essa a questão.

Considerando a agitação do cotidiano de uma agência, faz parte dos riscos do trabalho produzir peças que acabem contendo alguma falha ortográfica ou gramatical. É como a rebarba de uma peça usinada. Podemos dizer que é até mesmo comum que ocorra esse tipo de problema, o que justifica que todos os materiais sempre recebam uma boa revisão antes de seguirem em frente. E é aí que entra, eventualmente, um certo dilema:

Como deve ser a relação da publicidade com as regras ortográficas?









"Mostra tua força, Brasil". A vírgula utilizada nessa frase está correta. E o autor preferiu deixa-la bem discreta, quase que imperceptível.
Para um bom redator, pequenas coisas importam. Uma vírgula num lugar errado, um espaço sobrando, um acento ausente, enfim, tudo é percebido. Mas não quer dizer que tenha que ser tudo sempre 100% correto.








Tecnicamente, deveria haver uma virgula após Doril. Nesse caso, o autor preferiu deixar sem essa pontuação, certamente para dar melhor fluidez à pronúncia.

Na publicidade podemos escrever utilizando a língua coloquial ou a língua culta, que são diferentes formas de se produzir uma escrita.

Língua coloquial:
- Utilizada em relações informais;
- Sem preocupações com as regras da gramática normativa;
- Presença de coloquialismos (expressões próprias da fala), tais como: pega leve, se toca, tá rolando etc.
- Uso de gírias;
- Uso de formas reduzidas ou contraídas (pra, cê, peraí, etc.)
- Uso de “a gente” no lugar de nós;
- Uso frequente de palavras para articular ideias (tipo assim, ai, então, etc.)

Língua culta:
- Usada em situações formais e em documentos oficiais;
- Maior preocupação com a pronúncia das palavras;
- Uso da norma culta;
- Ausência do uso de gírias;

Resumidamente, a língua coloquial, por ser descontraída, relaciona-se com a fala (língua oral), enquanto a culta, com a escrita.

É aí que entre o grande questionamento: Um "erro" gramatical pode ser usado na publicidade?

A resposta vai de profissional para profissional. No meu caso, penso da seguinte forma:
Se a mensagem contém um erro gramatical mas não é algo grosseiro, ou seja, não é facilmente identificável, ela passa no primeiro crivo.
Mas não é suficiente. Costumo usar frases coloquiais apenas quando elas são melhores do que as frases cultas.

Quando ficam mais sonoras, mais fáceis de serem lidas e compreendidas, e ainda assim não contém erros grosseiros, acredito que podem ser utilizadas numa boa. Pois o princípio da publicidade é transmitir uma mensagem, e é nesse princípio que eu me agarro - com o dicionário em baixo do braço, é claro.



Pobrema; Célebro; Adevogado; Salchicha.

É claro que é praticamente impossível que um material publicitário seja aprovado com alguma dessas palavras. São erros grotescos e facilmente identificáveis. Mas é justamente essa a questão.

Considerando a agitação do cotidiano de uma agência, faz parte dos riscos do trabalho produzir peças que acabem contendo alguma falha ortográfica ou gramatical. É como a rebarba de uma peça usinada. Podemos dizer que é até mesmo comum que ocorra esse tipo de problema, o que justifica que todos os materiais sempre recebam uma boa revisão antes de seguirem em frente. E é aí que entra, eventualmente, um certo dilema:

Como deve ser a relação da publicidade com as regras ortográficas?









"Mostra tua força, Brasil". A vírgula utilizada nessa frase está correta. E o autor preferiu deixa-la bem discreta, quase que imperceptível.
Para um bom redator, pequenas coisas importam. Uma vírgula num lugar errado, um espaço sobrando, um acento ausente, enfim, tudo é percebido. Mas não quer dizer que tenha que ser tudo sempre 100% correto.








Tecnicamente, deveria haver uma virgula após Doril. Nesse caso, o autor preferiu deixar sem essa pontuação, certamente para dar melhor fluidez à pronúncia.

Na publicidade podemos escrever utilizando a língua coloquial ou a língua culta, que são diferentes formas de se produzir uma escrita.

Língua coloquial:
- Utilizada em relações informais;
- Sem preocupações com as regras da gramática normativa;
- Presença de coloquialismos (expressões próprias da fala), tais como: pega leve, se toca, tá rolando etc.
- Uso de gírias;
- Uso de formas reduzidas ou contraídas (pra, cê, peraí, etc.)
- Uso de “a gente” no lugar de nós;
- Uso frequente de palavras para articular ideias (tipo assim, ai, então, etc.)

Língua culta:
- Usada em situações formais e em documentos oficiais;
- Maior preocupação com a pronúncia das palavras;
- Uso da norma culta;
- Ausência do uso de gírias;

Resumidamente, a língua coloquial, por ser descontraída, relaciona-se com a fala (língua oral), enquanto a culta, com a escrita.

É aí que entre o grande questionamento: Um "erro" gramatical pode ser usado na publicidade?

A resposta vai de profissional para profissional. No meu caso, penso da seguinte forma:
Se a mensagem contém um erro gramatical mas não é algo grosseiro, ou seja, não é facilmente identificável, ela passa no primeiro crivo.
Mas não é suficiente. Costumo usar frases coloquiais apenas quando elas são melhores do que as frases cultas.

Quando ficam mais sonoras, mais fáceis de serem lidas e compreendidas, e ainda assim não contém erros grosseiros, acredito que podem ser utilizadas numa boa. Pois o princípio da publicidade é transmitir uma mensagem, e é nesse princípio que eu me agarro - com o dicionário em baixo do braço, é claro.